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Bolívia ampara Evo Morales ao regressar de viagem tensa pela Europa

O presidente boliviano volta ao seu país e afirma que o veto ao sobrevoo de países europeus foi “uma provocação ao continente latino-americano”

Morales, este miércoles en el aeropuerto de El Alto, Bolivia.
Morales, este miércoles en el aeropuerto de El Alto, Bolivia. REUTERS

O presidente da Bolívia, Evo Morales, foi recebido como herói por centenas de bolivianos que desfilaram no aeroporto El Alto, perto de La Paz, na noite gelada do altiplano. Milhares de cidadãos se reuniram nas praças centrais das cidades bolivianas para saudar o seu regresso e expressar apoio depois da sua retenção em Viena e do veto ao sobrevoo do avião presidencial no espaço aéreo de vários países europeus, por suspeitarem que nele vinha Edward Snowden, o ex-técnico da CIA que os Estados Unidos procura por ter vazado informações secretas.

O avião de Morales aterrissou pouco antes da meia-noite de quarta-feira. O presidente foi saudado pelo gabinete, autoridades militares, cidadãos e por embaixadores dos países membros da Unasul, enquanto seus seguidores gritavam “Todos somos Evo, o povo está contigo”, “Evo sim, ianques não”.

Em uma saudação breve, Morales disse star satisfeito “com a grande unidade do povo, a sua reação imediata às tentativas do império de amedrontar-nos” e a ação rápida dos seus colaboradores para ”defender a dignidade e a soberania não só da Bolívia, mas do continente,”

O presidente boliviano mencionou o incidente internacional de que foi protagonista na quarta-feira e afirmou que foi “uma provocação declarada ao continente [latino-americano], não só ao Presidente, e os EUA usaram o seu agente [Edward Snowden] para nos amedrontar e intimidar, mas quero dizer que nunca vão nos intimidar nem assustar porque somos um povo digno e soberano.”

“Certamente, o império e seus lacaios pensam que amedrontar um presidente é como fustigar ou intimidar os povos e movimentos sociais que lutam pela sua libertação. Mas não vão conseguir, porque já passou a época dos impérios e das colônias, estes são tempos em que os povos resistem às invasões e ao saqueio dos nossos recursos naturais”, disse Morales em uma curta declaração que prometeu ampliar horas depois.

Durante o dia, organizações afinadas com o partido oficial, o Movimento ao Socialismo (MAS) protagonizaram atos de repúdio aos países que suspenderam a permissão de sobrevoo para o avião do presidente Morales, que na terça-feira voltava da Rússia para a Bolívia.

A mídia local informou sobre hostilidades contra a embaixada da França, que foi apedrejada por um grupo de 50 pessoas, algumas vestindo ponchos vermelhos e outras, identificadas como funcionários do Vice-Ministério da Descolonização, portando cartazes que diziam “França, a sua democracia é colonialista”, “França hipócrita” e outr, que foi pendurado na grade da delegação diplomática: “Propriedade dos ponchos vermelhos”. Pouco antes de se retirarem, queimaram as bandeiras da França e da União Europeia. A França se desculpou pelo incidente.

Em Santa Cruz, dezenas de cidadãos se manifestaram pacificamente diante do edifício do consulado espanhol naquela cidade. Não houve incidentes.

A embaixada dos Estados Unidos cancelou a comemoração do 4 de julho, dia da independência, devido à tensão diplomática entre os dois governos, agravada pelo veto ao trânsito aéreo, que a Bolívia considera uma ação direta do governo estadunidense, embora o Departamento de Estado tenha rejeitado qualquer responsabilidade.

A chancelaria boliviana informou que devolveu ao governo dos Estados Unidos um “pedido de extradição estranho, ilegal, infundado e sugestivo de alguém que não está em território nacional.” A chancelaria se refere à extradição do ex-técnico Snowden, retido no aeroporto de Moscou segundo as últimas informações da imprensa local.

Tradução: Cristina Cavalcanti

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